É comum em nossos tempos, que pessoas com absolutamente nenhum conhecimento em psicologia ou psiquiatria além de vídeos sensacionalistas, tenham opiniões muito fortes sobre o Transtorno de Personalidade Antissocial.
A manada de vontade fraca tomada pelo senso comum é rápida em igualar pessoas com TPA a vilões que viram em filmes e séries, com um tipo de poder quase mágico de manipulação. Será esta a realidade?
Fui motivado a escrever este artigo devida a uma entrevista da BBC Brasil disponível no YouTube, intitulada: ‘Sou psicopata e quero que a sociedade entenda e acolha meu transtorno’, que tem falhas por si só, mas gostaria de abordar a matéria mais tarde. O detalhe relevante aqui é que ela é sobre uma ativista neurodivergente chamada M.E Thomas, que foi demitida de seu trabalho como professora e recebeu uma ordem legal de afastamento da universidade onde trabalhava, porque alguém se sentir intimidado pelo diagnóstico. É importantíssimo lembrar, a matéria não menciona qualquer motivação adicional ou acusação contra M.E Thomas, logo o caso se trata de discriminação em seu estado mais puro.
Os comentários da matéria estão verdadeiramente poluídos com capacitismo do pior tipo. Eles quase que unanimemente condenam M.E Thomas pelo que ela (segundo os comentários) poderia ter feito, e mesmo “pelo mal que ela com certeza fez para a vida das pessoas”.
Esses comentários em sua esmagadora maioria foram feitos, é claro, por pessoas desconhecidas, que nunca ouviram falar de M.E Thomas antes e que nem sequer moram no mesmo país.
Eu venho aqui perguntar, se este tratamento fosse aplicado a qualquer outra coisa, a lógica dele não seria igualmente absurda? Então por que não é neste caso?
Os capacitistas, em seu discurso de ódio, o qual eu me recusarei a chamar por um termo incorreto já que isto se encaixa somente na categoria de discurso de ódio, não tem um único argumento, eles têm pregação de medo.
Eles começam, usando termos como “psicopata” e “sociopata” que são datados há décadas, a contar histórias de terror fantásticas e a repetir roteiros de Hollywood sobre como “os psicopatas” vão adentrar na sua vida e arruiná-la por algum motivo vago. Narrativa essa, que não passa de uma modernização da ideia cristã de “diabo”, e uma atualização das fantasias do fanatismo religioso sobre “os pecadores” ou “ímpios” e o perigo constante representado por eles.
Como sempre é o caso com os sofistas que denunciamos incansavelmente neste jornal, a realidade aponta o contrário.
É o básico do bom senso saber que existe pessoas boas e ruins de todos os tipos, que existem criminosos e pessoas tóxicas ou mesmo terríveis, tanto neurotípicas quanto neurodivergentes de todos os tipos, e que em todos os casos a individualidade tem um papel igual em seu caráter; então qual sentido pode fazer julgar uma forma de neurodivergência acima da outra?
A pregação de medo contra pessoas com TPA não é nada além do eco de uma sociedade inerte e covarde, uma ideia tão retrógrada quanto o sistema desta mesma sociedade.
O capacitismo e as outras ideias reacionárias não terão espaço no meio de nós nem no futuro.
Luta contínua. Venceremos!
O Caso da Discriminação Contra o TPA.
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