Nova Plebe

Precisamos de Uma Federação de Ocupações.

Em nosso tempo a principal forma de luta contra a propriedade privada e a principal luta que vai conduzir à revolução social são as ocupações.

O crescente número de ocupações em si, mas também de movimentos sociais que giram ao redor delas, assim como sua importância para a prática e teoria do autonomismo comprovam sua validade como meio de luta popular. Por outro lado, a crescente reação violenta da burguesia brasileira contra as ocupações, contando com o recrudecimento da violência policial contra ocupadores e dos incontáveis despejos forçados, assim como iniciativas de pura bandidagem capitalista como o “Invasão Zero”, provam que as ocupações são de fato um incômodo para o capital.

Ocupações, seja por moradia, por um local para se trabalhar, ou qualquer outra causa, são especiais porquê ela são a forma mais pura e inadulterada do socialismo: tomada dos meios de produção.

“Tomar os meios de produção” é uma expressão tão usada por pseudo-intelectuais, políticos e até mesmo por influencers do tipo mais sofista possível, que práticamente já se esvaziou completamente de significado. Com uma esquerda cada vez mais chapa-branca e direitista “tomar os meios de produção” infelizmente já se tornou um chavão sem nenhum significado prático, um sonho profundo de um suposto socialismo supostamente distante.

Pois bem, me permitam ressuscitar o significado de “tomar os meios de produção”: ir lá e tomar o lugar. Não tem mistério, não tem nenhum elemento complicado nisso.

Um pouco de raciocínio crítico revela porquê as ocupações são então tão úteis e tão importantes para o movimento socialista, mas ao mesmo tempo evitadas por quem quer ganhar dinheiro e poder nas costas dele.

Ocupações são mini experiências diretas de autogestão. O operário aprende a gerir a fábrica como era tão desejado pelos socialistas há tanto tempo atrás. O ocupador é um expropriador, logo ele é feito mestre da coisa como é prescrito por Proudhon. É o socialismo saindo do papel e o palestrinha assim como o carrerista não foram necessários em momento nenhum, eles sabem que as ocupações podem arrancar deles a oportunidade de parasitar o povo e morrem de medo disso.

Outra vantagem das ocupações são seu fator como propaganda. Cada ocupação que consegue sobreviver mais um dia é desmoralizante para o capital e é uma rachadura no dogma da propriedade privada dos meios de produção e distribuição de bens. Não é de se admirar que muitas ocupações mantenham projetos culturais e sociais de todo o tipo, elas precisam demonstrar sua natureza benevolente para a sociedade afim de enfrentar a ideologia contrária a elas que no momento atual é dominante. As ocupações são também, portanto, um exercício prático de utilidade social da propriedade.

Parafreaseando Alfredo Bonanno, este processo (o de ocupar) não é uma ideia metafísica. Ele consiste em entrar em um lugar e toma-lo, mas o processo que nos permite realizar essa ação é um processo que deve envolver-nos em nossa totalidade. Mas oque eu quero dizer com envolver-nos em nossa totalidade?

Não é segredo para ninguém que o principal obstáculo prático para que o povo simplesmente tome um lugar para si é a repressão. Mesmo que feito totalmente dentro da lei vigente no Brasil (que gostaria de deixar claro que é o tipo de ocupação que eu promovo) o medo de retaliação, seja dos milicos, de jagunços ou de outras forças reacionárias tem uma base muito concreta na realidade.

Temos um grande e principal problema para lidar de forma imediata, como proteger a ocupação das forças reacionárias? Não é difícil entender que pouca coisa consegue derrotar uma força em números grande o suficiente, a respota óbvia então é através de um movimento relativamente grande capaz de fazer pressão somente pelo número bruto de pessoas, mas é muito mais fácil falar do quê fazer, não é?

Vamos tocar num ponto que vai alegrar os amantes de organização: nós precisamos da dita-cuja. Além da questão de números serem bons mas a organização ser importante para a ação conjunta e mobilização deles, fora que é mais fácil atrair os números e criar o movimento necessário com organização do quê esperando que a consciência mágicamente atinja as pessoas.

Temos aqui duas outras questões então, estas que poucos amantes de organização sabem responder, de qual tipo e como?

Partindo do princípio do caminho de menos resistência para se convencer e da força de um grupo unido por interesses em comum, oque faz mais sentido é uma união entre ils ocupadores. É intuitivo não? Um movimento unido de ocupações onde membres de cada uma defendem as outras mútuamente, anarquismo em seu estado mais puro.

Há no entanto a questão de qual poderia ser o modelo adotado por este pacto entre as ocupações, e não há nenhum mais adequado que a federação.

A federação é um clássico provado do anarquismo. Ela comporta perfeitamente diversas células de tamanhos diferentes em locais diferentes, mas como parte de um corpo. Ela faz o favor e a conveniência de preservar ao máximo possível a autonomia de cada participante mas ainda mantendo um dever para com o pacto em si.

E existem mais benefícios, a ligação não hieárquica entre integrantes de uma federação torna fácil e recíproca a troca de experiências, mas também cria um centro onde é possível transmitir uma mensagem comum a todes. A forma anarquista de federação é a forma perfeita para organizar um movimento tão diverso e espalhado quanto o movimento de ocupações no Brasil.

Uma federação de ocupações (ou de ocupadores, dá na mesma) no Brasil seria não somente um grande avanço prático na luta contra o capital no país, mas uma pequena liga ou fio de Revolução Social, uma longa ligação entre elementos revolucionários que quando junta a várias outras do tipo formariam um tecido resistente.


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