Nova Plebe

A Hipervigilância Avança no Brasil.

,

Até algumas décadas atrás as demandas sinistras para acabar com a privacidade de cada ser humano neste planeta costumavam ser sussurros. Hoje são gritos.

O poder das megacorporações não tenta mais esconder nem se envergonha de ser uma ferramenta para o imperialismo, seja americano, chinês, russo ou qualquer outro. Muito pelo contrário, ele se orgulha de ser a baioneta do regresso social.

Tomemos por exemplo prático a gigante do software chamada Palantir, ela não tem mais nenhum pudor em admitir que vende armas para o Estado americano, e justamente neste momento onde este Estado realiza invasões e bombardeios a outros países, abertamente motivados pelo lucro e poder no cenário internacional, a Palantir decide anunciar em seu site que está vendendo caminhões guiados por IA e com a capacidade de lançar foguetes para este mesmo governo, assim como não escondia a venda de drones militares no passado.

Além do despotismo externo, a Palantir também é uma ferramenta do despotismo interno ao prover apoio para a ICE, uma espécie de nova Gestapo americana, perseguir, deportar, roubar e por vezes matar imigrantes e minorias sociais.

A Palantir está com suas garras no Brasil ao ter como sua maior cliente por aqui a Globo, grupo cuja desonestidade e atuação em prol da pilhagem econômica neoliberal são bem conhecidas.

A Palantir no entanto é só uma das múltiplas corporações exigindo o fim da privacidade na internet e levantando a bandeira do fascismo do século XXI. A Meta do Sr. Mark Zuckerberg é outro exemplo.

Zuckerberg se aliou ao regime de Trump desde o começo, na primeira oportunidade que teve, e não largou a mão do mesmo desde então.

As companhias do Sr. Zuckerberg também são conhecidas pela colaboração com a extrema-direita no exterior, em especial com o golpe militar no Mianmar, então há pouco motivo para qualquer surpresa.

O que surpreende, no entanto, é que os sussurros se transformaram em gritos de uma só vez. Tínhamos o péssimo costume de achar que os ataques contra nossa liberdade e privacidade seriam continuados pouco a pouco, por meio de cláusulas maliciosas na lei e nos termos de usuário das redes sociais. Em nossa arrogância de achar que já sabíamos as regras do jogo, não achamos que começariam a falar bem alto a parte que normalmente se esconde e nem que usariam da força para isso.

Mas estamos aqui, confrontades pelo impensável. E mais impensável que a junção de todos estes fatos é a inércia da sociedade brasileira, nem somente para com estes ataques contra ela própria, mas contra um ataque igualmente malicioso realizado aqui mesmo no Brasil, justamente contra uma das parcelas mais vulneráveis da nossa população.

A chamada Lei Felca (Lei nº 15.211/2025) se aprovou de forma oportunística como uma mistureba confusa de leis com várias finalidades diferentes, mas que implementa, entre muitas outras coisas, a obrigatoriedade de “mecanismos confiáveis de verificação de idade” com a suposta justificativa de “produtos ou serviços de tecnologia da informação que disponibilizarem conteúdo, produto ou serviço cuja oferta ou acesso seja impróprio, inadequado ou proibido para menores de 18 (dezoito) anos de idade deverão adotar medidas eficazes para impedir o seu acesso por crianças e adolescentes”, além de tornar obrigatória a implementação de diversas medidas de vigilância parental.

Além de constituir um óbvio ataque contra a infância, uma vez que agora os pais, incluindo os mais abusivos, estarão no controle de se o menor poderá ou não realizar um ato tão simples quanto atualizar um aplicativo, a Lei Felca escancara os portões do Brasil para o roubo de dados por parte das mesmas big techs que são a espinha dorsal do fascismo em nossos dias.

Os tais “mecanismos confiáveis de verificação de idade” gerarão um oceano de dados dormentes de natureza sensível da população brasileira, especialmente os mecanismos relacionados a verificação facial e de documentos, que poderão ser roubados pelas big techs no primeiro momento em que for conveniente.

Os governistas, em sua eterna luta pela defesa do impróprio e do mal-feito, argumentam que este roubo de informações não poderá acontecer porque a própria lei o proíbe.

Os governistas erram feio, como sempre, ao terem a ideia fantasiosa de que big techs seguem as leis em primeiro lugar! Quem se lembra da enorme dificuldade que foi para o Twitter de Elon Musk entregasse alguns poucos golpistas da extrema-direita? Ou dos casos de bloqueio do Whatsapp no Brasil? Ou de várias outras situações parecidas?

Sabemos que só o fim do reino absolutista do capital pode encerrar essa situação, mas em termos imediatos só a resistência contra os avanços legais e práticos pode saber o Brasil de ter o fascismo em seu quintal mais uma vez. Não podemos permitir uma única vitória para as big techs, um único passo para trás com os nossos direitos significa a eventual perca de todos eles.


Publicado

em

,

por

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *